Mobile payment é uma modalidade de pagamento móvel, aceitação móvel (qualquer solução baseada em pagamento via dispositivos móveis), presencial ou não. Ou seja, aceitar cartões de crédito e débito através do seu smartphone ou tablet é um tipo de mobile payment, já presente no Brasil.

Ao final de uma compra, geralmente, ouvimos: dinheiro ou cartão? A resposta, no entanto, pode ser “no celular, por favor”. A mobilidade já é uma realidade de mercado. Muitas empresas adaptam seus negócios para este modelo ou, então, já nascem desta forma. O mesmo começa a acontecer com o mobile payment. Aos poucos, esta categoria se confirma como prática. Nos aplicativos para pedir táxi, por exemplo, os usuários efetuam o pagamento, seja através de cartão de crédito ou débito, direto no dispositivo. E isso torna-se cada vez mais comum.

Mercado de m-payment

Grandes bancos investiram no desenvolvimento de aplicativos mobile, assim seus clientes não precisam, necessariamente, ir até uma agência para efetuar operações como pagamentos de boletos, contas de consumo e/ou transferências. Segundo dados do Banco Central, a utilização de dispositivos móveis em transações bancárias cresceu 2.275% nos últimos cinco anos. Esse aumento supera até mesmo o atendimento pela internet, com crescimento de 135% no período – o que corresponde, atualmente, por 40% das operações realizadas. É uma grande oportunidade já que as pessoas querem mais mobilidade para diferentes aplicações.

Nos Estados Unidos, de acordo com o eMarketer, 23.2 milhões de pessoas usaram o m-payment em 2015. Em 2016, este número deverá crescer 61.8%. No caso do mercado brasileiro, o mobile payment ainda precisa evoluir para que o conceito vire, de fato, parte do nosso dia a dia. Um ponto importante é com relação à infraestrutura e ao desempenho das redes móveis. O Gartner aponta que o tráfego global de dados móveis atingiu 52 milhões de terabytes em 2015. A consultoria aconselha, inclusive, que os prestadores de serviços repensem suas infraestruturas de dados para conseguir atender todas as necessidades dos consumidores. Ou nos preparamos para absorver a demanda ou a experiência do usuário será diretamente afetada.

O UX (User Experience) é ponto fundamental nos dias de hoje. Se ao efetuar um pagamento através de seu dispositivo móvel, a operação falhar uma, duas ou três vezes, o usuário não tentará novamente. Isso é um fato. Atender as expectativas do cliente é essencial. Até mesmo com relação à segurança. Muitos ainda se sentem inseguros em efetuar pagamentos em aparelhos celulares. É praticamente uma questão cultural que deve ser contornada pelas companhias entrantes deste mercado.

Tendências para m-payment

O número cada vez maior de dispositivos móveis utilizados no mundo – hoje são 15 bilhões e até 2020 devem ser 50 bilhões deles conectados à internet, segundo levantamento da DHL Inc. e da Cisco – e a importância crescente que esses aparelhos têm na vida dos consumidores apontam algumas das grandes mudanças que a indústria de pagamentos deve enfrentar nos próximos anos.

Da mesma forma que o então revolucionário cartão de débito praticamente substituiu o cheque em papel, o mobile payment pode, gradualmente, aposentar o cartão de plástico. Confira algumas tendências do uso de smartphones e tablets para pagar contas:

E-money – O dinheiro digital que pode ser armazenado no celular – e também utilizado por meio dele –, é uma das principais tendências apontadas quando o assunto é pagamento mobile especialmente na Europa, mas também no resto do mundo. Quem chama a atenção para isso é Tobias Schreyer, co-fundador do The PPRO Group. Em sua coluna no TechRadar, ele afirma que a expectativa é de que, aos poucos, consumidores que buscam agilidade e praticidade de uso acabem optando por essa forma de pagamento, que oferece todos os benefícios de uma conta bancária tradicional somados à mais privacidade e segurança e menores taxas. A vinculação do dinheiro digital a cartões pré-pagos aparentemente também tem despertado interesse no consumidor médio em busca de maior controle sobre o orçamento.

ApplePay – Embora Google Wallet e PayPal existam há algum tempo, o lançamento do ApplePay deve esquentar e transformar esse segmento de forma mais veloz do que tem ocorrido até agora. Para os varejistas, a recomendação é se preparar para uma rápida aceitação dessa novidade pelos consumidores. Entre as tendências apontadas pelo Mashable em “15 Mobile Trends to Watch in 2015”, chamou a atenção que a plataforma de pagamento da Apple já suportava bandeiras que representavam 90% do volume de compras com cartão de crédito nos Estados Unidos e já podiam ser utilizada em 220 mil estabelecimentos, desde grandes redes nacionais de varejo até lojinhas de bairro, apenas algumas semanas após seu lançamento.

SamsungPay – Estreou em Julho de 2016 no Brasil, chegando antes do Applepay. O sistema de pagamento funciona assim: o usuário pode cadastrar cartões de crédito e de débito, no ato da compra, graças à tecnologia NFC (Near Field Communication). Basta aproximar o celular de terminais de compra; para autenticar a transação, é preciso inserir a impressão digital, além de outros três níveis de segurança. Galaxy S6 e o S6 edge serão compatíveis apenas com essa tecnologia. O Samsung Pay funciona ainda com Transmissão Magnética Segura (MST, na sigla em inglês) para atender os terminais de pagamento que ainda não possuem NFC. Segundo a Samsung, esse é um dos diferenciais de seu sistema. A plataforma Samsung Pay pode ainda ser compatível com cartões de transporte, como o Bilhete Único de São Paulo, cupons e cartões associados.

Biometria – Esta tecnologia vem sendo gradualmente adotada e deve continuar evoluindo também muito em função da autenticação biométrica do ApplePay. A Apple, no entanto, não é a única impulsionadora da adoção dessa novidade. Segundo Schreyer, doThe PPRO Group, o Barclays, por exemplo, está introduzindo reconhecimento de voz em seu serviço de telefone banking e também scanners para identificação de digitais. Isso indica que, além do cartão de plástico, senhas numéricas também podem ser aposentadas no futuro.

Geração do Milênio – A adoção do mobile payment deve ser mais rápida entre o público mais jovem. Steve French, vice-presidente global da Amdocs, afirma que esse público teve um poder de compra de 2,45 trilhões de dólares em 2015 e que seu meio preferido para interagir e ser contatado é, claro, o mobile. Para o público em geral, por outro lado, a substituição dos meios tradicionais de pagamento deve ser mais lenta, exatamente como ainda ocorre com a troca do cheque pelo cartão de débito.

Compras pequenas – Outra aposta é de que os consumidores estejam dispostos a começar a utilizar o celular para fazer compras do dia a dia, de pequeno valor. Um exemplo é o método de pagamento utilizado pela Starbucks nos Estados Unidos, em que os clientes pagam “mirando” o celular para um scanner que lê o código de barras do seu aplicativo e ainda acumulam vantagens no programa de fidelidade.

Sem fronteira – Com o turismo global aquecido pela ascensão da classe média em mercados como a Ásia somado ao fato de que mais do que nunca os apps estão disponíveis em dez ou mais idiomas, varejistas e desenvolvedores serão desafiados a trabalhar com a moeda de viajantes que queiram utilizar o pagamento mobile em seus destinos turísticos.